Com capacidade para cerca de 45 moradores, instituição mantém atendimento multidisciplinar e reúne recursos públicos, contribuições das famílias e apoio da comunidade para sustentar sua atuação.
A história da Casa de Acolhimento Coronel Gustavo Ribeiro, em Caconde, atravessa diferentes gerações e acompanha as transformações da própria sociedade.
Os registros apresentados pela instituição remetem a 1º de janeiro de 1901, quando a Lei nº 23, por iniciativa do coronel Gustavo Ribeiro de Ávila Jr., propôs a criação de uma entidade voltada ao atendimento de pessoas pobres e desamparadas no município. A atual associação foi formalmente constituída em 1936.
Décadas depois, a Casa mantém sua atuação voltada principalmente a pessoas idosas que, por diferentes circunstâncias, já não conseguem viver sozinhas ou não podem receber de suas famílias todos os cuidados de que necessitam.
Hoje, a instituição possui capacidade para aproximadamente 45 moradores e trabalha próxima do limite de sua estrutura.
Para Daiani Lima, o acolhimento precisa ser entendido para além da oferta de moradia e assistência.
“Nosso objetivo é que a Casa seja realmente um lar para quem vem morar conosco. Não apenas um lugar para dormir, mas uma morada onde essa pessoa possa se sentir acolhida, respeitada e continuar sua história.”
Atendimento que funciona todos os dias
Manter uma instituição de acolhimento para idosos exige uma estrutura permanente de profissionais e serviços.
A Casa conta com enfermagem 24 horas, fisioterapia, psicologia, assistência social e equipe administrativa, além dos profissionais responsáveis pela alimentação, higiene, limpeza e demais atividades necessárias ao cotidiano dos moradores.
O trabalho envolve acompanhamento da saúde, suporte às atividades diárias e atenção às necessidades individuais de cada residente.
A estrutura física também foi planejada considerando aspectos de conforto e bem-estar. Segundo informações da instituição, o prédio aproveita a iluminação natural, reduzindo a necessidade de iluminação artificial durante o dia, e possui pé-direito mais alto, favorecendo a ventilação dos ambientes.
São elementos que ajudam a compreender a dimensão do atendimento oferecido. Para quem passa a viver na instituição, aquele espaço deixa de ser apenas um equipamento de assistência e se torna sua residência.
Um serviço que também atende às famílias
O trabalho realizado pela Casa não se restringe aos moradores.
Ao acolher idosos que necessitam de acompanhamento contínuo, a instituição também presta suporte às famílias que, por diferentes motivos, não conseguem assumir integralmente esses cuidados.
Esse papel ganha relevância diante de uma transformação cada vez mais presente na sociedade: o aumento da expectativa de vida.
Com uma população que vive mais, cresce também a necessidade de serviços especializados para idosos que precisam de assistência permanente. A própria ocupação da Casa evidencia esse cenário. Em períodos anteriores, segundo relato da instituição, havia dificuldade para alcançar 40 moradores. Atualmente, a estrutura opera próxima de sua capacidade máxima.
Nesse contexto, o acolhimento institucional passa a fazer parte de uma rede mais ampla de proteção social voltada à população idosa.
Como a Casa mantém sua estrutura
Sustentar uma operação permanente, com profissionais e atendimento durante 24 horas, exige a combinação de diferentes fontes de recursos.
A Casa recebe uma verba de Proteção Especial repassada pelo Estado por meio da Assistência Social, além de uma contrapartida do município pelo serviço prestado à comunidade idosa.
Também há a contribuição das famílias do próprio município, além de recursos provenientes de emendas para custeio, do Fundo Municipal do Idoso e de outras formas de apoio.
Mesmo com essa composição, os custos operacionais são elevados. Segundo informações da instituição, os valores arrecadados diretamente junto aos moradores ficam abaixo do total necessário apenas para a folha de pagamento dos funcionários.
Por isso, a participação da comunidade também integra essa rede de sustentação.
Há moradores de Caconde que contribuem mensalmente com a instituição, inclusive com valores a partir de R$ 20.
Para Rinaldo José de Souza, o Rino, presidente da Casa, essa participação ajuda a complementar os recursos necessários para manter o atendimento.
“Temos uma estrutura profissional que precisa funcionar permanentemente, com enfermagem 24 horas e diferentes áreas de atendimento. As contribuições da comunidade ajudam a complementar esse trabalho. Um valor que isoladamente parece pequeno ganha outra dimensão quando existe a participação de várias pessoas.”
Mais do que acolher, preservar histórias
Cada novo morador chega à Casa trazendo uma trajetória própria.
São histórias familiares, hábitos, lembranças, preferências e vínculos construídos ao longo de décadas. Por isso, o desafio do acolhimento também está em oferecer suporte sem apagar a individualidade de quem passa a viver na instituição.
A proposta é que a Casa seja percebida como uma morada e não apenas como um local de permanência.
Essa visão aproxima o atendimento de uma questão fundamental no cuidado com a população idosa: preservar dignidade, identidade e qualidade de vida mesmo quando a pessoa passa a depender de acompanhamento contínuo.
Ao longo de sua trajetória, a Casa de Acolhimento Coronel Gustavo Ribeiro tornou-se parte da estrutura social de Caconde. Sua atuação reúne profissionais, poder público, famílias e comunidade em torno de uma demanda que tende a ganhar cada vez mais importância.
O envelhecimento da população coloca novos desafios para municípios, famílias e instituições. Em Caconde, a experiência da Casa mostra que cuidar de quem envelhece exige estrutura, recursos e atendimento especializado — mas também a compreensão de que cada morador continua sendo parte da história e da vida da cidade.